Os exercícios para o assoalho pélvico se popularizaram principalmente por meio dos chamados exercícios de Kegel. Com isso, muitas pessoas passaram a tentar praticá‑los sozinhas, após ver dicas rápidas na internet ou nas redes sociais.
Mas o que pouca gente sabe é que, quando feitos de forma inadequada, esses exercícios podem não só deixar de ajudar como também piorar os sintomas.
Isso acontece porque nem todo assoalho pélvico precisa apenas de fortalecimento. Em muitos casos, o que existe é excesso de tensão muscular, dificuldade de relaxamento, descoordenação ou um padrão incorreto de contração.
Nessas situações, fortalecer sem avaliar antes pode aumentar a rigidez da musculatura, intensificar dores, dificultar a evacuação ou até agravar perdas urinárias.
Por isso, antes de iniciar qualquer treino, o ideal é entender como está funcionando essa musculatura e não apenas presumir que ela esteja fraca.
Neste artigo você vai conhecer os erros mais comuns e entender como fazer o treino de forma segura e eficaz.
Por que exercícios pélvicos não são “tamanho único”?
Quando se fala em exercícios para o assoalho pélvico, muitas pessoas pensam apenas em fortalecimento. Mas essa abordagem generalizada pode ser um erro.
O assoalho pélvico pode apresentar diferentes tipos de disfunções, como:
- Fraqueza muscular
- Tensão excessiva
- Descoordenação motora
- Atraso na ativação muscular
- Contração paradoxal (quando o músculo contrai ao invés de relaxar)
- Dificuldade de relaxamento após o esforço
Cada uma dessas alterações exige uma abordagem específica e individualizada.
Por exemplo: fortalecer uma musculatura que já está tensa ou mal coordenada pode piorar os sintomas, aumentando dores pélvicas, desconfortos durante a relação ou até perdas urinárias.
Erro 1: Usar os músculos errados
Esse é o erro mais comum ao tentar fazer exercícios para o assoalho pélvico.
Muitas pessoas, sem perceber, acabam contraindo músculos que não fazem parte da musculatura íntima, como:
- Glúteos
- Coxas
- Abdomen
- E ainda prendem a respiração
⚠️ Consequência:
Essas compensações reduzem a eficácia do exercício, alteram a mecânica de pressão intra-abdominal e podem até piorar sintomas.
✅ Como deve ser a contração correta?
A sensação ideal é:
- Uma elevação da musculatura íntima no sentido da cabeça, de forma profunda e sutil
- Sem movimentar restante do corpo visivelmente
- Com a respiração fluindo naturalmente
Um fisioterapeuta pélvico pode usar recursos como biofeedback para ajudar você a identificar os músculos corretos e fazer os exercícios com precisão.
Fazer o movimento certo importa e muito. Aprender a ativar os músculos certos é o primeiro passo para um assoalho pélvico funcional.
Erro 2: Prender a respiração durante o exercício
Esse é um erro frequente e que pode comprometer todo o objetivo do exercício pélvico.
❌ O que acontece quando você segura o ar?
Ao prender a respiração, você aumenta a pressão dentro do abdômen, o que empurra o assoalho pélvico para baixo exatamente o contrário do que queremos. Em vez de fortalecer, você pode sobrecarregar e descoordenar ainda mais a musculatura íntima.
✅ Como respirar corretamente?
A respiração deve ser:
- Contínua: sem bloqueios ou apneia
- Integrada ao esforços
💡 Lembre-se: o assoalho pélvico e o diafragma trabalham juntos. Quando a respiração flui, o corpo se organiza melhor e o exercício funciona como deve.
Respirar bem é parte do tratamento. E respirar certo é sinal de que o corpo está em harmonia.
Erro 3: TREINO DE FORÇA: Achar que “mais é melhor”
Muita gente acredita que quanto mais forte contrair, melhores serão os resultados. Mas essa ideia pode atrapalhar e muito.
❌ Erro comum:
Fazer contrações muito intensas, o tempo todo, achando que isso fortalece mais.
Consequências:
- Fadiga precoce
- Aumento da tensão muscular
- Dor pélvica
- Piora da urgência urinária
- Dificuldade para esvaziar bexiga ou intestino
- Perda de coordenação muscular
✅ O que é o certo?
Treinar o assoalho pélvico não é só sobre força. A musculatura íntima precisa saber:
- Contrair com controle
- Relaxar completamente
- Coordenar com movimentos do corpo
Força sem controle pode gerar sobrecarga.
Relaxamento consciente é parte essencial do equilíbrio muscular.
Mais controle, menos tensão. Isso sim gera resultados reais e sustentáveis.
Erro 4: COMO TREINAR ADEQUADAMENTE
Em muitos casos, o que o corpo realmente precisa é de relaxamento, coordenação ou apenas consciência corporal. Exercitar sem saber o que está tratando pode gerar o efeito oposto ao desejado.
❌ Erros comuns:
- Fazer centenas de repetições por dia sem orientação
- Usar pesos vaginais sem necessidade
- Acreditar que todo sintoma se resolve com “exercício de força”
📌 Situações que frequentemente exigem foco em relaxamento e coordenação:
- Dor pélvica
- Dor na relação sexual
- Dificuldade para evacuar
- Sensação de “travamento” na pelve
- Jato urinário interrompido
- Dor lombar associada
Fortalecer um músculo que já está tenso pode piorar os sintomas.
✅ O certo:
Exercícios para o assoalho pélvico devem ser individualizados, dosados conforme o diagnóstico, a função muscular e os objetivos da reabilitação. Assim como qualquer plano terapêutico, é preciso estratégia e não volume.
Mais exercício não significa melhor resultado. Exercício certo, na dose certa, sim. Assim como um medicamento.
Erro 5: Fazer o mesmo treino para sempre
❌ Erro comum:
Começar a treinar sem avaliação profissional e manter a mesma rotina para sempre.
⚠️ Consequências possíveis:
- Fortalecer músculos que já estão tensos
- Piorar dores ou disfunções
- Estagnar os resultados
- Criar compensações ou sobrecargas
✅ O certo:
A reabilitação do assoalho pélvico exige diagnóstico preciso e progressão estratégica. O tratamento começa com controle, evolui para resistência, coordenação, resposta ao esforço e integração com os movimentos do dia a dia.
Cada corpo tem sua história e precisa de um plano individual.
Quando não fazer exercícios por conta própria
Embora os exercícios para o assoalho pélvico sejam importantes, nem sempre é seguro começar sozinho.
Evite praticar sem avaliação especializada se você apresentar:
- Dor pélvica ou dor na relação sexual
- Perda urinária
- Intestino preso
- Sensação de peso ou “algo descendo” na pelve
- Histórico de cirurgias pélvicas
- Sintomas neurológicos (como dormência ou formigamento)
Nesses casos, a avaliação é essencial. Ela define o tipo de disfunção e evita estratégias inadequadas que podem piorar o quadro.
Como a fisioterapia pélvica orienta o treino correto
O acompanhamento com uma fisioterapeuta pélvica permite:
- Identificar se o problema é fraqueza, tensão, descoordenação ou outro fator
- Avaliar força, resistência, relaxamento e coordenação muscular
- Corrigir padrões de ativação inadequados
- Ajustar a intensidade e progressão dos exercícios
- Ensinar como integrar respiração, controle de pressão abdominal e movimento funcional
- Utilizar recursos como biofeedback para melhorar percepção e eficácia
O treino passa a ser específico para você e não um protocolo genérico.
Exercício pélvico funciona?
Sim, quando feito do jeito certo.
Exercícios eficazes são:
- 🔹 Bem indicados
- 🔹 Corretamente executados
- 🔹 Coordenados com as atividades do dia a dia
- 🔹 Progressivos e adaptados ao diagnóstico
- 🔹 Supervisionados, ao menos no início
A execução correta é o que gera resultado. Repetir sem estratégia pode não ajudar e até piorar os sintomas.
Conclusão
Exercícios para o assoalho pélvico funcionam mas não são automáticos.
Fazer por conta própria, sem avaliação e com técnica inadequada, pode atrasar a melhorar ou piorar disfunções.
A chave está em avaliar primeiro, treinar depois.
Lembre-se: Treinar certo é mais importante do que treinar forte.

