A gestação é um período de intensas transformações no corpo da mulher. Entre essas mudanças, o assoalho pélvico desempenha um papel fundamental para sustentar órgãos, auxiliar no parto e prevenir disfunções urinárias e musculares.

A fisioterapia pélvica na gravidez surge como uma importante aliada para promover conforto, preparo para o parto e recuperação no pós-parto.

Neste artigo, você vai entender quando iniciar o acompanhamento, quais são os benefícios e como essa especialidade pode contribuir para uma gestação mais saudável e segura.


O que é fisioterapia pélvica?

A fisioterapia pélvica é uma área da fisioterapia que atua na prevenção, avaliação e tratamento das disfunções do assoalho pélvico, conjunto de músculos e tecidos responsáveis por sustentar órgãos como bexiga, útero e intestino.

Durante a gravidez, esses músculos sofrem sobrecarga devido ao crescimento do bebê, alterações hormonais e mudanças posturais, o que pode gerar sintomas como:

  • Escape de urina

  • Dor lombar ou pélvica

  • Sensação de peso na região íntima

  • Dificuldade na recuperação após o parto

  • Desconforto durante relações sexuais

O acompanhamento fisioterapêutico ajuda a prevenir e tratar essas alterações, promovendo qualidade de vida durante toda a gestação.


Quando começar a fisioterapia pélvica na gravidez?

A fisioterapia pélvica pode ser iniciada a partir da 12ª semana de gestação, inclusive como forma preventiva.

Primeiro trimestre

A mãe que costuma chegar neste período tem a possibilidade de se organizar muito melhor para cada fase do tratamento, de forma a fazer tudo de uma forma mais tranquila. Após a avaliação do assoalho pélvico, iremos entender como é a rotina desta mãe alinhar expectativas sobre as possíveis mudanças que irão ocorrer com o corpo, como prevenir as disfunções e já tratar qualquer tipo de dor ou disfunção seja uma constipação, perda de urina que aconteça mesmo antes da gestação. 

Aqui o foco é instruir, preparar mente e corpo, com foco em exercícios mais genéricos para o corpo e muita liberação de assoalho pélvico para então poder treinar o que for necessário, seja coordenação muscular ou fortalecimento da região íntima.

Segundo trimestre

Segundo trimestre é a fase onde temos bastante liberdade para atender a mãe com exercícios avançados ou mais leves, de acordo ao condicionamento físico e aprendizado motor, o foco é aprender a usar o corpo desfrutar de cada nova sensação de uma forma mais leve. 

Sabemos que nesta fase a dor na coluna é desnecessária então ainda trabalharemos fortalecimento de musculaturas posturais, evitaremos qualquer sobrecarga do corpo pois já entendemos que o foco nesta fase é desenvolver o bebê e não ganho de massa muscular, por exemplo. O ideal é mantermos o condicionamento prévio da mãe, mas sem prejudicar o físico. é uma fase onde os exercícios íntimo já podem ser incluídos em atividades da rotina casa a mãe já tenha boa coordenação muscular, a pré contração para proteger o assoalho pélvico de esforços já está bem programada e poderemos iniciar aprendizados mais específicos sobre o momento do parto, como entender o papel da doula, criar o plano de parto.

Terceiro trimestre

É  a fase onde temos muitos check list a cumprir, desde a necessidade de uma dor específica na coluna, mobilidade óssea e relaxamento muscular excelentes, uma fase que exige atenção a datas e semanas de gestação. 

 Aqui iniciaremos as conversas sobre tipo de parto, o que é esperado para cada uma destas opções, aprenderemos enfim quais posturas favorecem cada momento do parto, desde o encaixa a dilatação. Buscaremos incluir o parceiro para ele estar de forma ativa apoiando as decisões da parturiente e oferecendo o suporte físico e emocional que ela precisa.


Quais são os benefícios da fisioterapia pélvica durante a gestação?

Prevenção da incontinência urinária

Prevenir a incontinência urinária é de fato entender qual foi a real  causa dela, entenderemos se essa perda de urina se iniciou no primeiro trimestre, no último trimestre ou mesmo antes desta gestação. Compreendo se foi por falta de coordenação muscular, fraqueza ou muita tensão na região íntima. Ou quem sabe a perda de urina vem por disfunções do controle da Bexiga.

Preparação para o parto

Ao contrário do que muitos pensam a preparação do parto é muito além do músculo ela também é sobre a mobilidade dos ossos do quadril. a fisioterapia prepara o corpo como um todo para a hora do nascimento e toda a gestação, entendo as diferentes fases deste processo gestacional.  

Podendo sim, evitar intervenções médicas no dia do parto, evitar lacerações, diminuir o tempo do trabalho de parto ou mesmo oferecer melhor conforto para este momento, oferecendo protagonismo da mãe para esse momento.

Redução de dores musculares

Mudanças posturais e aumento do peso corporal podem gerar dores lombares e pélvicas. O tratamento fisioterapêutico contribui para aliviar esses desconfortos.

Melhora da consciência corporal

A gestante aprende a reconhecer e controlar melhor sua musculatura, o que facilita tanto o parto quanto a recuperação pós-parto.

Recuperação mais rápida após o parto

Mulheres que realizam acompanhamento durante a gestação tendem a apresentar melhor recuperação da musculatura pélvica após o nascimento do bebê.

Como funciona o atendimento de fisioterapia pélvica para gestantes?

O atendimento começa com a primeira consulta, onde teremos uma conversa detalhada sobre o pré natal, expectativas dessa mãe e objetivos para esse período, considerando histórico clínico, sintomas e fase da gestação. A partir disso, é elaborado um plano de tratamento único que pode incluir:

  • Exercícios de fortalecimento e relaxamento do assoalho pélvico

  • Técnicas respiratórias

  • Exercícios posturais

  • Orientações para o parto

  • Técnicas de mobilidade pélvica

  • Educação sobre hábitos que protegem a saúde íntima

Todo o acompanhamento é realizado de forma segura e respeitando o momento gestacional da paciente.


Fisioterapia pélvica ajuda no parto normal?

Sim. Independente da via de parto, você tem benefícios na melhora da ativação muscular, melhor controle do corpo. O preparo adequado do assoalho pélvico pode facilitar o trabalho de parto, melhorar o controle muscular e contribuir para uma experiência mais tranquila.

Além disso, a aula de parto permite à mãe se sentir muito mais segura sobre o que irá acontecer com o seu corpo em cada momento, se tornando protagonista do próprio parto e mantendo-se segura para melhor se posicionar, seja em parto na água, com bola, ou mesmo deitada de lado na cama.


Existe contraindicação para fisioterapia pélvica na gravidez?

Na maioria dos casos, a fisioterapia pélvica é segura e recomendada. No entanto, algumas condições obstétricas específicas podem exigir avaliação médica prévia, como gestação de alto risco ou intercorrências clínicas.

Por isso, o acompanhamento deve sempre ser realizado por profissional qualificado e, quando necessário, em conjunto com o obstetra.


Quando procurar um fisioterapeuta pélvico durante a gestação?

O ideal é buscar avaliação logo no início da gravidez ou até mesmo no planejamento gestacional. Porém, o acompanhamento também é indicado caso a gestante apresente sintomas como:

  • Escape de urina

  • Dor pélvica ou lombar

  • Sensação de peso vaginal

  • Desconforto nas relações sexuais

  • Medo ou insegurança em relação ao parto

Quanto mais precoce for o acompanhamento, maiores são as chances de prevenção e melhora dos sintomas.


Conclusão

A fisioterapia pélvica na gravidez é uma importante aliada para o bem-estar da gestante e para a saúde do assoalho pélvico. Além de prevenir disfunções, ela contribui para o preparo para o parto e para uma recuperação pós-parto mais rápida e eficiente.

O cuidado com o corpo durante a gestação impacta diretamente na qualidade de vida da mulher e na experiência do nascimento do bebê. Por isso, contar com acompanhamento especializado pode fazer toda a diferença nesse momento tão especial.

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